sábado, março 14, 2009

A BRUXA ERA VERDE


Apaguei a televisão e fui brincar completamente aterrorizado, aquela mulher vestida de preto com um chapéu pontiagudo e a cara verde montada numa vassoura e a dar gargalhadas estridentes deixou-me cheio de medo.
Durante toda a minha infância sonhei com ela e aquela cara verde era um completo terror, acordei dezenas de vezes com as suas gargalhadas a ressoarem-me nos ouvidos.
Ao longo dos anos cada vez que via aquela actriz num outro filme qualquer era percorrido por um arrepio, ainda hoje quando vejo o Feiticeiro de Oz aquela bruxa me mete medo.
Parabéns Margaret Hamilton.

O LOBO MAU E A BRANCA DE NEVE


A pele muito branca, os lábios vermelhos colocados estrategicamente naquela cara muito redondinha, olho para ela e passa-me sempre pela cabeça: se tivesse que fazer um filme era com ela a interpretar o papel de Branca de Neve. Tem um ar puro e um nome que só por si nos desperta para o sonho, Juliette.
Juliette Binoche, a primeira vez que a vi estava pendurada numa trave a contracenar com Daniel Day Lewis, a pureza dela contrastava com toda a cena e os seus olhos tinham qualquer coisa de comprimido efervescente que não pára de se mexer quando é metido num copo de água, várias vezes me pareceu que eles me fitavam, mas não, é impossível, ela olhava para a câmara indiscriminadamente, partidas que o cinema nos prega.
Mas é no momento em que ela se junta com o Lobo Mau de chapéu de côco que eu percebi, aqui está a melhor dupla feminina do cinema. Aquela mulher do chapéu de côco (Lena Olin) é um vulcão (quem disse que na Suécia não havia vulcões?), os olhos dela cospem fogo e o seu corpo parece lava ardente a moldar as rochas quando desce a encosta e então dá-se o grande clímax, que nunca ninguém julgou ser possível, nem a própria Disney, o Lobo Mau “come” a Branca de Neve.
Quando visitar Praga tenho que ver se as encontro.