domingo, outubro 22, 2006

Cinema

Todos os domingos por volta da uma e meia da tarde saía de casa com o meu avô para ir para o cinema, ele vestido com um fato preto, camisa branca e laço, com os sapatos e a careca a brilhar seguia no seu passo de fiscal do cinema lá da terra e eu pela rua fora aos saltinhos ao seu lado, disfrutava já da alegria do filme que iria ver essa tarde, eram trezentos metros de alcatrão de nossa casa até ao cinema, ao virar da esquina lá estava ele com a sua fachada cor de casca de ovo desbotado, aqui e ali com manchas negras da húmidade do ultimo inverno, as grandes portas e janelas castanhas e no alto em letras bem grandes CINE TEATRO S.JORGE.
Entrávamos por uma pequena porta lateral para o frio escuro que fazia lá dentro, então abriamos as portas onduladas de metal e deixávamos entrar o sol no átrio, corriam-se as cortinas e à nossa frente no escuro um gigantesco e misterioso écran branco, como que pedindo vida, pairava por cima das intermináveis filas de cadeiras de madeira da plateia.
O meu avó rodava o botão do quadro eléctrico e como um bafo de vida a sala inundavasse de luz, estava tudo preparado para quando os funcionários chegassem se começasse a vender bilhetes e as pessoas começassem a ocupar os seus lugares, a sessão começava ás três em ponto. Escondido no corredor dos camarotes, esperava pacientemente que o filme começasse, eram momentos de uma angústia mágica mas a minha idade não me permitia estar sentado numa cadeira.
Apagavam-se as luzes, o écran ganhava vida e eu começava a sonhar, com cowboys e índios, a Claudia Cardinal e a Raquel Welch, os saltos de telhado para telhado do Jean Marais, com leões e gladiadores, Kirk Douglas, John Wayne a quem nunca caía o chapéu.
O filme acabava, as luzes acendiam-se, as pessoas saíam e tudo ficava como dantes, mas agora com o perfume de um sonho. Voltava para casa a flutuar e a magia prolongava-se enquanto contava o filme à minha avó.
À noite na minha cama revia o filme na escuridão e adormecia a brincar com os meus heróis.
O cinema ainda lá está, mal tratado com filmes de qualidade duvidosa em cartaz e na maior parte das vezes sem ninguém, ele que mesmo vazio encheu os meus sonhos.

Baralho de cartas

As cartas saltavam das tuas mãos para cima da mesa impulsionadas por uma força mágica e encaixavam-se nos seus lugares, as paciências eram resolvidas a uma velocidade estonteante para a criança que te observava. Aquelas cartas que tantas vezes eu tentei tirar-te às escondidas pois tu não me deixavas brincar com elas e quando conseguia trepava para cima da cadeira e ao alcançar o cume da tua mesa tentava imitar as tuas paciências, coisa que nunca consegui pois ainda hoje não as sei fazer, mas sentia-me importante sentado na tua cadeira, à tua mesa, com as tuas cartas.
Lembro-me tão bem da tua cara severa com olhos de puto que irradiavam amor dizeres-me:
- Cartas é coisa para gente crescida.
E eu ficava triste mas obedecia.
A magia daquelas cartas marcou-me para sempre e o teu amor também, partiste talvez levado por uma fada quem sabe se a esta hora não serás o rei de paus de um qualquer baralho.
Estejas onde estiveres sei que vais ler este livro, este baralho é para ti.
Do teu neto.

terça-feira, outubro 17, 2006

Luis Sepúlveda

Hoje estive numa sessão de autógrafos para o lançamento do novo livro de Luis Sepúlveda, "O poder dos sonhos".
Estive frente a frente pela primeira vez na minha vida com um revolucionário, um combatente, um guerrilheiro antifascista. É impressionante a serenidade, a afabilidade que vem daquele homem e ao mesmo tempo a dureza.
Foi um momento mágico, com o meu escritor de eleição.
Tremi (leia-se "comovi-me") e as lágrimas afloraram os meus olhos como só me tinha acontecido uma outra vez, quando vi os Pink Floyd em Alvalade.
Hasta siempre Luis

segunda-feira, outubro 16, 2006

Diana Krall



















Esta mulher canta como ninguém, é uma fábula. Podem ouvir trechos das suas canções no site.

http://www.dianakrall.com.

História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar













Luís Sepúlveda nasceu em Ovalle, no Chile, em 1949, e tornou-se conhecido com O Velho Que Lia Romances de Amor, romance que continua a fascinar milhões de leitores em todo o mundo. Desde 1993 que a ASA vem publicando toda a obra do autor; além daquele romance, Mundo do Fim do Mundo, Nome de Toureiro, Patagónia Express, História de uma Gaivota e do Gato que a Ensinou a Voar, Encontro de Amor Num País em Guerra, Diário de um Killer Sentimental e As Rosas de Atacama, livros que conheceram sucessivas reedições e transformaram Luís sepúlveda num dos escritores latino-americanos mais queridos do leitor português. Esta é a história de Zorbas, um gato grande, preto e gordo. Um dia, uma formosa gaivota apanhada por uma maré negra de petróleo deixa ao cuidado dele, momentos antes de morrer, o ovo que acabara de pôr. Zorbas que é um gato de palavra, cumprirá as duas promessas que nesse momento dramático lhe é obrigado a fazer, não só criará a pequena gaivota como também a ensinará a voar. Tudo isto com a ajuda dos seus amigos Secretário, Sabetudo, Barlavento e Coonello, dado que, como se verá, atarefa não é fácil, sobretudo oara um bando de gatos mais habituados a fazer frente à vida dura de um porto como o de Hamburgo do que a fazer de pais de uma cria de gaivota... Com a graça de uma fábula e a força de uma parábola, o grande escritor chileno oferece-nos neste seu livro uma mensagem de esperança de altíssimo valor literário e poético.

Van Helsing




















Eu adorei o filme, é um verdadeiro filme de aventuras com um super herói.



Van Helsing
ano2004
país EUA
género Acção Terror Fantástico
realização Stephen Sommers
intérpretes Hugh Jackman
Kate Beckinsale
Richard Roxburgh
David Wenham
Will Kemp
data de estreia 06-05-2004 (nacional) 05-05-2004 (mundial)
sítio oficial www.vanhelsing.net

sinopse
Século XIX. Numa época onde reinam criaturas míticas, apenas Van Helsing (Jackman) lhes faz frente - um homem amaldiçoado pelo passado, que trabalha numa organização secreta. A sua missão é caçar monstros e vampiros.

Huuurra cowboy

O sr. Pinho veio-nos dizer que a crise acabou, está ultrapassada.
Paz, pão, habitação, saúde, educação (Bem hajas Sérgio Godinho), está tudo bem.
Oh Pinho vai pentear macacos para a tua terra...

sexta-feira, outubro 13, 2006

Nome de Toureiro - Luis Sepúlveda



O Muro caiu e com ele muitas ideologias também, espiões ficaram desempregados e começaram a ser cobradas dívidas antigas. Do outro lado do Atlântico, na América do Sul, também muitos ex-guerrilheiros, os poucos que sobreviveram a ditaduras várias e guerras sucessivas caíram no desemprego ou na inactividade. Alguns ainda vivem no exílio. Juan Belmonte, com o mesmo nome do famoso toureiro é um deles. Frank Galinsky era da Stasi. E os dois são recrutados, por partes distintas para mesma missão, longe, na Terra do Fogo. Este livro de Luis Sepúlveda narra como nenhum outro, o fim da guerra fria, a queda das ideologias, mas também a aventura, o amor e a fraternidade entre aqueles que passaram por tanta coisa juntos. Pelo meio fica o policial negro, ficam as denúncias e a raiva velada contra todos os espancadores profissionais vistam eles o uniforme que vestirem e o amor de um homem por uma mulher.

domingo, outubro 08, 2006

Há vida para além da reforma???

Tanta preocupação com a Previdência.
Mas será que existe vida para além da reforma se a idade da dita for aumentada?
Deixem-se disso, tirem dinheirinho do orçamento geral do estado e cobrem mais às empresas, os pobres e os reformados não tem culpa que vocês estoirem o dinheiro em grandes carros e festarolas para o dr. Sócrates falar do reino do blábláblá.

Joaquin Sabina



Experimentem ouvir este senhor, é mesmo muito bom.


http://www.jsabina.com/.

sábado, outubro 07, 2006

Adriana Varela












Adriana Varela

Paixão em estado puro, tango, Argentina e tesão.
Não deixem de ouvir, eu morro de amores por esta mulher a cantar.
http://www.adrianavarela.com/indexesp.html.