O LOBO MAU E A BRANCA DE NEVE
A pele muito branca, os lábios vermelhos colocados estrategicamente naquela cara muito redondinha, olho para ela e passa-me sempre pela cabeça: se tivesse que fazer um filme era com ela a interpretar o papel de Branca de Neve. Tem um ar puro e um nome que só por si nos desperta para o sonho, Juliette.
Juliette Binoche, a primeira vez que a vi estava pendurada numa trave a contracenar com Daniel Day Lewis, a pureza dela contrastava com toda a cena e os seus olhos tinham qualquer coisa de comprimido efervescente que não pára de se mexer quando é metido num copo de água, várias vezes me pareceu que eles me fitavam, mas não, é impossível, ela olhava para a câmara indiscriminadamente, partidas que o cinema nos prega.
Mas é no momento em que ela se junta com o Lobo Mau de chapéu de côco que eu percebi, aqui está a melhor dupla feminina do cinema. Aquela mulher do chapéu de côco (Lena Olin) é um vulcão (quem disse que na Suécia não havia vulcões?), os olhos dela cospem fogo e o seu corpo parece lava ardente a moldar as rochas quando desce a encosta e então dá-se o grande clímax, que nunca ninguém julgou ser possível, nem a própria Disney, o Lobo Mau “come” a Branca de Neve.
Quando visitar Praga tenho que ver se as encontro.